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Lisboa como Vontade e Representação, oh yeah
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Não mais do que cada um está só no grupo e que cada sociedade não está só entre as outras, o homem não está só no universo. Quando o arco-íris das culturas humanas tiver acabado por cair no abismo cavado pela nossa fúria; enquanto estivermos presentes e que exista um mundo - este ténue arco que nos une ao inacessível continuará, mostrando o caminho inverso da nossa escravidão e do qual, falho de o percorrer, a contemplação oferece ao homem o único favor que ele sabe merecer: interromper a marcha, quebrar o impulso que o leva a cobrir uma após outra as rachas abertas no muro da necessidade e a terminar a sua obra ao mesmo tempo que fecha a sua prisão; este favor que toda a sociedade ambiciona, quais sejam as suas crenças, o seu regime político e o seu grau de civilização; onde ela coloca o seu lazer, o seu prazer, o seu descanso e a sua liberdade; oportunidade, vital para a vida, de se soltar e que consiste - adeus selvagens! adeus viagens! - durante os breves intervalos em que a nossa espécie suporta interromper o seu labor de colmeia, em agarrar a essência do que ela foi e continua a ser, aquém do pensamento e além da sociedade: na contemplação de um mineral mais belo do que todas as nossas obras; no perfume, mais sábio do que os nossos livros, respirado no cálice de um lírio; ou no piscar de olho carregado de paciência, de serenidade e de perdão recíproco, que um entendimento involuntário permite por vezes trocar com um gato.
Foi assim, Teco, que Claude terminou Tristes Trópicos.

Não mais do que cada um está só no grupo e que cada sociedade não está só entre as outras, o homem não está só no universo. Quando o arco-íris das culturas humanas tiver acabado por cair no abismo cavado pela nossa fúria; enquanto estivermos presentes e que exista um mundo - este ténue arco que nos une ao inacessível continuará, mostrando o caminho inverso da nossa escravidão e do qual, falho de o percorrer, a contemplação oferece ao homem o único favor que ele sabe merecer: interromper a marcha, quebrar o impulso que o leva a cobrir uma após outra as rachas abertas no muro da necessidade e a terminar a sua obra ao mesmo tempo que fecha a sua prisão; este favor que toda a sociedade ambiciona, quais sejam as suas crenças, o seu regime político e o seu grau de civilização; onde ela coloca o seu lazer, o seu prazer, o seu descanso e a sua liberdade; oportunidade, vital para a vida, de se soltar e que consiste - adeus selvagens! adeus viagens! - durante os breves intervalos em que a nossa espécie suporta interromper o seu labor de colmeia, em agarrar a essência do que ela foi e continua a ser, aquém do pensamento e além da sociedade: na contemplação de um mineral mais belo do que todas as nossas obras; no perfume, mais sábio do que os nossos livros, respirado no cálice de um lírio; ou no piscar de olho carregado de paciência, de serenidade e de perdão recíproco, que um entendimento involuntário permite por vezes trocar com um gato.


Foi assim, Teco, que Claude terminou Tristes Trópicos.

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A Adega Grande e a Adega Pequena: vinha gente de longe, dezenas de quilómetros de Vauxhall Viva ou carrinha Peugeot para comprar vinho, e com ele sonhar os sonhos de então.

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A ameixieira velha e generosa. No verão, que tanto tarda, voltaremos a comer as enormes ameixas, doces, amarelas, cheias de sol.

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Os melhores anos, risos, festas, inquietações, sustos, tristezas, flores, animais, os amigos, a família grande, a vida dada.

Há uma prima Vera em cada vida? Once there was a thing called spring, when the world was writing verses like yours and mine; all the lads and girls would sing, when we set a little tables and drank May wine… Now, April, May and June are sadly out of tune - life has stuck the pin in the baloon! Mes jours étaient comptés, quatorze automnes et quinze étés. J’étais la condition sine qua non de ma raison.
(Florbela, Lorenz Art, Gainsbourg)


Há uma prima Vera em cada vida? Once there was a thing called spring, when the world was writing verses like yours and mine; all the lads and girls would sing, when we set a little tables and drank May wine… Now, April, May and June are sadly out of tune - life has stuck the pin in the baloon!
Mes jours étaient comptés, quatorze automnes et quinze étés.

J’étais la condition sine qua non de ma raison.

(Florbela, Lorenz Art, Gainsbourg)

(via sapta-loka)

De todas as vezes que vi The man who shot Liberty Valance, esta foi a de que mais gostei (também pelas palavras de Eduardo Paz Ferreira, que tão bem nos contou o velho filme). Entre a diligência e o comboio, passa o Tempo, passa o amor, passamos da selvajaria ao Estado e parece que ficou tudo melhor. Tudo, graças ao sacrifício de Tom Doniphon - depois esquecido por todos (mas nunca pelo velho Pompey, nem por Ramson e Hallie). Assim somos, frutos de um acaso, de um tiro disparado no último minuto de uma ruela secundária. O espectáculo, é sempre na rua principal. Nessa noite também houve tiros, dos verdadeiros, na Barata Salgueiro, disparados para esse saloon que tão bem se chama Guilty. Oh, velho far-west, sempre tão próximo. Onde está o mal? Ele está no meio de nós, e é preciso dar-lhe um nome. O dessa noite agitada foi Liberty Valance. O chicote com o cabo em prata, o revólver usado cruzado, o riso histérico do esbirro e a calma fria do outro, a roupa negra sobre a camisa de flores desmaiadas, o mal puro e enterrado. Agradeçamos os minutos de calma que Liberty Valance nos oferece, morto. E honra a Lee Marvin, cow-boy perfeito, no bem e no mal, que aqui perfeito desenhou a personagem do vilão (para passear com ele no inferno, só posso imaginar Frank Booth).

Born under a wandering star, cantada por ele: When I get to heaven, tie me to a tree for I’ll begin to roam and soon you’ll know where I will be…


Fascismo nunca mais.

Contra-Almirante Américo Deus Rodrigues Thomaz fotografado por Mário Novais, Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.

Goodbye, Maria Ivone.


… comme des géants plongés dans les années à des époques, vécus par eux si distantes, entre lesquelles tant de jours son venus se placer - dans le Temps.


Est-ce pour vous que je strip-tease, que voulez-vous que je vous dise?
Pour moi, jour après jour, s’en vont une à une mes illusions: à chaque nuit un autre automne, s’effeuiller est bien monotone.
Et tout ceci pour qui, pour quoi, est-ce pour lui, est-ce pour toi ?

Si c’est pour toi que je strip-tease, il faut pourtant que je te dise que tu es, soit dit entre nous, un peu voyeur, un peu voyou… Mais ce ne sont là que chimères, de ma bouche à ma jarretière, car personne, pas même toi, ne portera la main sur moi!

Ici s’achève le strip-tease qui te grise et m’idéalise… Voici la chair de la poupée, ses vêtements éparpillés… Pourtant, si je suis toute nue, je garde mon âme ingénue, et je reste en tout point pareille, là dans le plus simple appareil…

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Nico in Strip-Tease, de Jacques Poitrenaud.

Ontem vi o Lola, na Cinemateca. É um encanto e tem happy ending, ou quase, o que sabe bem nos dias que correm. Lola é sincera com Cassard, acarinha Frankie por desfastio, e quem ganha? Yvon, que de repente se vê com dois trompetes. Yvon, que no fim ganha um pai improvável. Sobre todos, e os seus abismos, Lola flutua porque tem a alegria dela, intrínseca, radical, que lhe permite esperar e ganhar. Os outros partem, até a pequena Cécile, que não sabe esperar. Como esperar, depois do carrousel em câmara lenta? Ninguém pode resistir àquele caroussel em câmara lenta.
Ao sair, enquanto as estudantes do conservatório partiam nas suas bicicletas, um porsche estacionou e dele saiu um homem preocupado e uma mulher alheada, imagino que tendo o Guilty por destino. Ela parecia a Gwyneth Paltrow enquanto Margot Tenebaum - mais velha, mais overdressed, pumps de veludo e strass. Tão, tão alheada e triste. Entre ela e as estudantes do conservatório, de bicicleta ao frio de Fevereiro, a Lola de Anouk Aimée, suspensa no tempo, é o compromisso impossível.

Ontem vi o Lola, na Cinemateca. É um encanto e tem happy ending, ou quase, o que sabe bem nos dias que correm. Lola é sincera com Cassard, acarinha Frankie por desfastio, e quem ganha? Yvon, que de repente se vê com dois trompetes. Yvon, que no fim ganha um pai improvável. Sobre todos, e os seus abismos, Lola flutua porque tem a alegria dela, intrínseca, radical, que lhe permite esperar e ganhar. Os outros partem, até a pequena Cécile, que não sabe esperar. Como esperar, depois do carrousel em câmara lenta? Ninguém pode resistir àquele caroussel em câmara lenta.

Ao sair, enquanto as estudantes do conservatório partiam nas suas bicicletas, um porsche estacionou e dele saiu um homem preocupado e uma mulher alheada, imagino que tendo o Guilty por destino. Ela parecia a Gwyneth Paltrow enquanto Margot Tenebaum - mais velha, mais overdressed, pumps de veludo e strass. Tão, tão alheada e triste. Entre ela e as estudantes do conservatório, de bicicleta ao frio de Fevereiro, a Lola de Anouk Aimée, suspensa no tempo, é o compromisso impossível.